terça-feira, 15 de novembro de 2016

Direto de Rubem Alves- CECÍLIA MEIRELES


No vasto campo da leitura, a cada dia conheço um escritor ou livro novo, e minha vontade de lê-los aumenta e se perde na imensidão da lista do "Quero Ler". Nesta crescente agregação de livros e autores/escritores surge a sensação de falta, de não conseguir dar conta de tanta leitura.
Como este é um fator conflitante, gerando bastante reflexões, aderi um dos ensinamentos que a leitura do Poder do Mito (Joseph Campbell) trouxe-me, o de ler autores e escritores citados por escritores que gosto. Assim, vou delimitando minha lista e conhecendo livros dentro da minha linha de reflexão e filosofia.
Um dos escritores que tenho maior admiração, é o brasileiro Rubem Alves. Conheci seu trabalho através do capítulo Amiga Solidão do livro "Na morada das palavras", discutido em uma aula de teatro. Só posso descrever paixão pelas suas palavras, seus livros me ajudam a desocultar uma simplicidade e amplitude até então escondidas em mim.
Ler livros citados por escritores que gosto, pode parecer limitador de outros livros fora desse campo, porém, de qualquer forma estarei deixando de lado alguns livros, é quase impossível ler todos os escritores.
Graças a Rubem Alves venho conhecendo escritores até então não explorados, por isso, criei a tag Direto de Rubem Alves, espaço no blog que dedicarei a resenhas e considerações de livros que  li a partir deste autor.
O primeiro post será dos livros de poesia,  da Cecília Meireles. Antes, nada compreendia de poesia, li algumas na época do ensino médio e não sentia nada, passei despercebida por elas. Agora, depois de anos não consigo me ver sem o toque da poesia, são versos sem explicações conhecidas na nossa dinâmica objetivista e cotidiana, que me enchem de acolhimento. 

Cecília Meireles em mim tem o poder de ferir, colocar para fora minhas feridas e novamente estancar o sangue com suas palavras. São versos e mais versos que enchem meu dia de nova sonoridade, e beleza. Para ser sincera, antes de adentrar em seus livros já tinha dois poemas dela na ponta da língua, que repetia constantemente Retrato e Motivo. Repetia sem pensar, repetia e repito por me tocar, dar voz aos meus sentimentos.
Cada poema cabe em um dia, selecionei os que hoje estão me fazendo pensar, amanhã já será outra coletânea, mas vou deixar fixo estes no post.

Canção Excêntrica
Ando a procura de espaço
Para o desenho da vida.
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
Protejo-me num abraço
E gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
Começa a achar um cansaço
Esta procura de espaço
Para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço:
- Saudosa do que não faço,
- Do que faço, arrependida.


Humildade (1954)

Tanto que fazer!
Livros que não se leem, cartas que não se escrevem,
Línguas que não se aprendem
Amor que não se dá
Tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papeis, papeis, papeis...
até o fim do mundo assinando papeis.

E os pássaros atrás de grades de chuva
e os mortos em redoma de cânfora

(E uma canção tão bela!)

Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca sabemos quem éramos
nem para quê.

4º Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.



domingo, 6 de novembro de 2016

Choro porque choro, e isto já me basta.

foto weheartit
Choro engasgado, preso, sem uma explicação plausível para ceder. Se perguntares o que há? Apenas as lágrimas irão responder.
Lágrimas quentes e finas, calmas e tortuosas lavam meu rosto, e enchem meu corpo de sadia melancolia.
Meu nariz arde e tento segurar o choro, só porque o ambiente não pede alarde. É preciso suprimir as lágrimas, trancá-las na gaveta mais profunda da alma. Eles não podem saber que choro, sem ter um motivo trágico. Choro porque existo, e existir traz a dor em ser.
Já busquei decifrar, em vão, o porquê de chorar com tanta frequência, se a soma dos meus afazeres é favorável, tenho trabalho, arte, espaço e laço.

E só cheguei ao choro em sua forma mais pura e crua. Choro porque choro, e isto já me basta.

sábado, 30 de julho de 2016

A surpresa da chegada

Weheart it
Se chegar cedo, traga-me um café, preciso de animo para ficar em pé.
Dividiremos os bocejos preguiçosos da manhã e para ti darei um abraço quente, terno, de quem se embalou por horas adentro no aconchego da cama.
Na minha vez, não direi a que horas chegarei.
Deixarei a surpresa, do não esperado ter seu regalo e nos banhar com afagos.
Talvez uma faceta de susto, permaneça em você. Pode ser que me acolha em seus braços, ou que a frieza o mantenha distante.
Depende do seu dia, de sua disposição momentânea em me ver.   
São riscos acarretados pelo imprevisto, o não planejado e a incerteza em ser.
Andressa Giacomini
 

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