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terça-feira, 18 de abril de 2017

Cordão: Juntas e separadas

imagem extraída do we heart it.
Já critiquei, criei caso, fechei o semblante, desmoronei.
Gritei para ser ouvida, e nem a voz límpida ou embargada de choro, tirou o fato de seres minha mãe.
Teu ventre me carregou confortavelmente durante meses, teu alimento me alimentou, fomos apenas uma, ligadas pelo fio iniciador da vida “ o cordão umbilical”.
Agora desprendida, depois de anos na labuta de separar meu ser do seu, criamos uma relação de comunhão.
Não vê como eu vejo, não tenho seus olhos grudados aos meus. Aprendemos a virar as costas de mãos dadas. Somos duas, e cada uma está tecendo a sua própria jornada. Andressa Giacomini

sexta-feira, 31 de março de 2017

Ser no tempo

imagem: we heart it 
De em tempos em tempos, brigo com o tempo.
Puxo seu aspecto espectral. Seguro os fios do relógio firmemente, tentando controlar seu curso natural. O fim.
O “tic tac” demarca, corta os dias entre manhã, tarde , noite e madrugada. Fragmentada distribuo a minha jornada.
O meu curso de vontades nem sempre é compatível com a máquina de marcar os segundos. E vou seguindo, entre o choque de ser dentro do tempo, constituindo a minha existência junto ao mundo que roda, gira, se faz noite e dia.
O cronológico parece gritar, não perca a hora, os segundos estão a passar, a morte está mais próxima.
O fim, companheiro diário, entrelaça meu tempo, deixo-o fazer visita, e se instalar em minha rima. Sou fim, finitude contida no meu tic tac.

domingo, 6 de novembro de 2016

Choro porque choro, e isto já me basta.

foto weheartit
Choro engasgado, preso, sem uma explicação plausível para ceder. Se perguntares o que há? Apenas as lágrimas irão responder.
Lágrimas quentes e finas, calmas e tortuosas lavam meu rosto, e enchem meu corpo de sadia melancolia.
Meu nariz arde e tento segurar o choro, só porque o ambiente não pede alarde. É preciso suprimir as lágrimas, trancá-las na gaveta mais profunda da alma. Eles não podem saber que choro, sem ter um motivo trágico. Choro porque existo, e existir traz a dor em ser.
Já busquei decifrar, em vão, o porquê de chorar com tanta frequência, se a soma dos meus afazeres é favorável, tenho trabalho, arte, espaço e laço.

E só cheguei ao choro em sua forma mais pura e crua. Choro porque choro, e isto já me basta.

sábado, 30 de julho de 2016

A surpresa da chegada

Weheart it
Se chegar cedo, traga-me um café, preciso de animo para ficar em pé.
Dividiremos os bocejos preguiçosos da manhã e para ti darei um abraço quente, terno, de quem se embalou por horas adentro no aconchego da cama.
Na minha vez, não direi a que horas chegarei.
Deixarei a surpresa, do não esperado ter seu regalo e nos banhar com afagos.
Talvez uma faceta de susto, permaneça em você. Pode ser que me acolha em seus braços, ou que a frieza o mantenha distante.
Depende do seu dia, de sua disposição momentânea em me ver.   
São riscos acarretados pelo imprevisto, o não planejado e a incerteza em ser.
Andressa Giacomini

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Efêmeras felicidades

foto "Colhida no jardim de um amigo"
Felicidade para mim não é um acontecimento único, intacto, me esperando no fim do arco-íris, com um prazo marcado. Mas sim, vários prazeres distribuídos em meus dias, oscilando entre a calmaria e a tempestade. 
São efêmeras minhas felicidades, e sua brevidade é que me enchem de espera e me fazem devorá-las oras calmamente oras cheia de pressa.
Que graça haveria se eu fosse feita só de felicidade? Onde a tristeza entraria e faria a sua parte, de amiga e conselheira íntima? A felicidade não pede reflexão ela só vem e ordena a vivência do momento. 
Ah! e a tristeza, essa sim ensina, me coloca frente a frente comigo, com minha parte mais dolorida. Ela ensina calma, escuta, traz o  retorno a mim mesma, o contato com o interior, para assim criar asas novamente.
Minhas felicidades possuem um toque de melancolia e nostalgia, sendo a junção das alegrias e tristezas. As reuni nesse texto a fim de eternizá-las nem que for por um momento. 

Efêmeras felicidades

Acordar cedo e sentir o cheiro de café invadindo meu quarto.
Pão na chapa, queijo fresco, 
manteiga derretendo no bolo quentinho feito pela minha irmã, coberto com amor.
Café com leite, 
Devaneio na janela,
Viajar sendo acompanhada pela música, 
Dançar pela casa,
caminhar sozinha,
Passar minutos a fio, olhando meus livros, sendo abraçada por eles,
Contato, cheiro de pele
Estudar o que gosto
Encontrar preciosidades no brechó
Descobrir algo no caminho que faço diariamente
Cheiro de planta,
Admirar as flores,
Ficar acordada até tarde, sem compromisso no dia seguinte.
Vislumbrar o céu, de manhã, a tarde, fim de tarde, noite...
Desembrulhar um livro novo,
ir a caça de filmes e chocolates,
Dormir a tarde,
Rimas infinitas em meu caderno,
Linhas em branco no diário,
Ganhar um livro ilustrado,
beijo roubado
e momentos de interrogação? onde falta a resposta... e a porta aberta é o que me toca...

Andressa Giacomini
.....

terça-feira, 21 de junho de 2016

Marcas evidentes

A umidade revelava o absorver de água que aquela parede era capaz de aguentar. Inchada, o mofo sinalizava o que já não conseguia ocultar.
Não havia farsas, camadas de pinturas, papel de parede florido, móveis decorados que tirassem o foco de suas marcas, ressaltadas, descascadas pela ação do tempo.
E como era bonito, harmônico, quando o mofo, as cascas ganhavam asas e dançavam pela sala. Sem medo ganhavam formas, e aceitavam sua mutação de uma parede lisa ao constante desmanche dos dias.
Andressa Giacomini

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O Quadro

  foto via We heart it

Pincelava o quadro como fazia na vida, com repetitivos movimentos de vai e vem.
Sentia que a  imagem intacta na tela movimentava-se mais do que seu dia e brandia tantos alvoroços como nenhuma festa fazia.
Ela contemplava a pintura com meia xícara de café, o quimono percorria suave em seus braços nus, calmos, soltos, entregues naquela viagem interna para dentro do quadro.
Sem perceber deixou o dia lá fora, as buzinas dos carros, o mundo com seus barulhos e ditados pelo puro prazer de entregar-se ao momento, a experiência na tela.
Andressa Giacomini

terça-feira, 7 de junho de 2016

Pausa


Após mais uma tarde de trabalho, na correria dos afazeres e no compasso do relógio , caminhei de volta para casa. O trajeto parecia o mesmo de ontem, anteontem, exceto pela pausa no caminhar.
Subitamente meus pés travaram e não pude sair do lugar. Foi então que meus olhos pregados ao chão, subiram ao encontro do céu.Os pensamentos voltados ao possível descanso no futuro ,deram espaço ao voo dos pássaros, ao céu amarelado, ao horizonte esverdeado.
Um frio percorreu minha barriga, um choque realmente físico de que tudo se vai. Já diz o bordão do senso comum " tudo passa", a "única certeza da vida é a morte".
A morte do dia, da rima, da melodia, da minha vida, do amor, da dor, de tudo que pulsa. E quando o universo deixar de expandir, apenas o tempo continuará a vagar. Com ele não há pausa, volta, avanço, apenas o deixar rolar.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Pelos olhos de Pandora

Observar um bebê tanto bichinho quanto do ser humano é adentrar no mundo das descobertas, do novo. Faz alguns dias que recebemos de braços abertos a chegada da nova integrante da nossa família, a Pandora.
Sua rotina é voltada as necessidades básicas (comer, dormir,...), mas, quando não está se satisfazendo, explora todo o ambiente com muita curiosidade.
O barbante caído no chão torna-se interessante a tal ponto que ela para de andar e vai puxá-lo. Todos os cantos da casa criam graça, vivacidade. 
Trago estas observações, pois percebo que quando crescemos vamos perdendo a curiosidade pelo mundo. A ciência já fez  tantas descobertas que parece não caber mais a nós meros seres humanos a função de investigar a vida. Não no sentido de obter-se uma resposta e sim ficar surpreso com o mundo a nossa volta, com as coisas simples e bonitas circundantes a nós.
Digo por mim, as obrigações da rotina, vão sugando a curiosidade. As minhas reações acabam sendo robóticas, levantar, sentar, comer nada mais é interessante e a Pandora está me dando uma lição de como apreciar e vivenciar o presente. É claro que a existência humana tem suas particularidades, porém, incorporar na rotina o saber olhar, perceber, me traz para o presente, o único momento da existência que realmente estou vivenciando. 

domingo, 17 de maio de 2015

Retalhos da rotina: mudança no nome do blog.

Retalhos da rotina transcreve o momento em que vivencio. Antes de mudar o nome do blog, me questionei sobre qual o sentido de ainda mante-lo e percebi que persiste em mim a vontade de expor algumas escritas e grifos de leituras.
Já não quero expor o que antes compartilhava, agora o que me move são pequenas observações da rotina, breves trechos de pensamentos, sensações e por enquanto mais nada.
Não estou fragmentada, só não faz mais sentido o que anteriormente me impulsionava.
Então, bem-vindos a alguns retalhos da minha rotina.




quinta-feira, 23 de abril de 2015

Qual nosso ponto de intersecção?

Estou resgatando minhas impressões de dias avulsos sobre o socializar e o compartilhar.
Venho percebendo um enlatar das pessoas expresso na arquitetura das residências e sucessivamente das cidades. As separações das residências por muros cada vez maiores, cobertos de cercas elétricas divide mundos, colocando uma barreira entre as relações.
Segundo Dunker (2015) na reportagem para o Jornal Folha de São Paulo a "existência é pensada entre muros. Se eu sair do meu muro, eu vou sair para brigar, para quebrar o muro do outro. Não é que o outro esteja fazendo algo com o qual não concordo, ele é de uma dimensão que eu não consigo reconhecer como semelhante à minha".
Sinto falta de empatia no socializar, é um fechamento muito forte em nossas próprias concepções. É como se o medo de nos ferir, acabasse nos protegendo de qualquer tipo de aproximação.
Não estou criticando a forma de possuirmos e dar vida humana aos espaços como certo ou errado, ou generalizando como se a fase atual da existência humana fosse a pior ou a melhor. E sim, observando como essas configurações espaciais acabam transcendendo em nossas relações sociais.
São mundos ocupando os mesmos espaços sem chegar a se afetarem profundamente. É um viver refugiado, amedrontado esperando o pior por vir, e o se colocar no lugar do outro escorre na própria individualização. Não há o reconhecimento do outro como parte importante da existência humana, as trocas e o compartilhar são existentes, porém percebo poucas entregas.
Como no trecho da música do Nero "Estamos fugindo de que ?Estamos fingindo pra que? Pra que tanta proteção?" 
Fiz esse post para expor minhas inquietações no sentido de que se nossa ocupação espacial reflete em nossas formas de socialização, qual nosso ponto de junção com o outro? Qual nossa intersecção?

quinta-feira, 16 de abril de 2015

As maravilhas de se permitir olhar fora da "caixinha"

foto by me
Gosto de procurar sutilezas escondidas no mundo, como em cenas de filmes em que cada detalhe é de tamanha sensibilidade.
Meus olhos buscam e captam a imagem que me toca profundamente, o céu cor de rosa, um bando de pássaros ao entardecer, uma árvore recheada de flores, ou o próprio sol a se esconder entre as nuvens. O incrível é que o mundo real é cheio de detalhes lindos, esperando para serem olhados e sentido.
Ouvi um pensamento interessante sobre a substituição das janelas pelas televisões. Penso que o homem está se condicionando a olhar dentro da caixinha, como se só lá dentro o mundo existisse. E a janela que simbolizava a abertura para o mundo exterior perdeu sua validade em uma sociedade pronta.
Não sou contra televisões, celulares ou qualquer outra tecnologia. Mas, acredito no poder de  retornarmos a observar o mundo lá fora, não apenas captado por um aparelho eletrônico e sim filtrado por nossos olhos e todos os órgãos do sentido.
Perceber a mesma situação ou fenômeno  como novo. Olhar o mundo de forma aberta para sentir o presente e não com os olhos viciados na rotina ( na mesma rua, no mesmo caminho da quitanda) , traz a magia  perdida nos dias de hoje. Não somos mais surpreendidos, não sentimos a estranheza.
Abrir o corpo, os poros para as vivências discretas que nos acompanham em todos os instantes, estar disposto a presenciar e interagir com o meio, nos coloca como parte do todo, das plantas, dos animais, dos homens, amplamente do universo. E não como um ser superior que se relaciona com o mundo pela exploração e individualismo, e sim em uma relação igualitária.

sábado, 4 de abril de 2015

Feriado: dia de ócio criativo e de limpeza

No feriado acordei as 8 hrs, meu relógio biológico atuou. Mas, não significou que usei as horas vagas como nos dias de compromissos.
Levantei disposta a ficar off dos canais de comunicação e pus-me a banhar da Andressa esquecida na rotina.
Dediquei  a manhã de pijama a contemplar as nuances matinal provinda da janela do quarto. Exercitei a escrita como possibilidades de expressão e também a observar as formas produzidas por minhas letras. Li velhos jornais e revistas, sem a função de buscar informações novas, apenas deliciar-me com algumas escritas.
Alonguei-me, esfoliei meus pés, limpei velhos acúmulos e parei. Parei e fiquei, limpa do relógio e dos horários estabelecidos.
O ócio chegou instalando-se mansamente. Fiquei tomada por um estado de êxtase e criação.
Percebi que guardei muitas coisas durante esses dias e pensava estar seca de ideais. A pressa da rotina mobilizou-me a não sair da zona do "Eu tenho que fazer".
O eu tenho que fazer sugou o imprevisto e a criação. A vida assumiu a mesma tonalidade.
E que bom que eu pude parar e me deixar levar pelo ócio, pela limpeza interna.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A conscientização sobre a água pode surgir da crise...

Se é da crise que surge as mudanças, estamos vivenciando um momento oportuno para o ser humano pensar em suas atitudes em relação ao uso da água e na sua relação com o meio ambiente. 
Só considerar a crise da água pelo viés da negatividade é desacreditar nas possibilidades da especie humana em buscar o equilíbrio. 
Acredito na teoria da evolução da espécie de Darwin. Porém, considero a palavra evoluir neste sentido pejorativa,  no sentido de que o homem não se transformou de um ser inferior a ele, apenas se transformou. Agregou características diferentes, não melhores.
Esbocei minha opinião acima sobre a teoria da evolução, afim de fazer uma analogia com a evolução (transformação) sobre a conscientização e mudanças de atitudes em relação ao meio ambiente.
Vejo que novas ideias vem sendo colocadas em prática,  penso em que nenhum outro momento o ser humano se tornou tão consciente da importância da convivência em equilíbrio com o meio ambiente.
Não acredito que mudanças vem do dia para  a noite, principalmente pelos relatos que observo a história inteira da existência humana foi de exploração do meio ambiente. É um processo, como a ideologia da teoria da evolução, vamos tomar consciência, ter mudanças de atitudes graduais de modo que no futuro outras gerações já tenham introjetado estes novos hábitos. 
Infelizmente a nossa preocupação ocorre quando passamos pela situação. Ficar sem água, pode gerar mudanças de atitudes.
Prefiro acreditar de que isso acontecerá ao invés de compreender apenas um lado do prisma. A questão é que o planeta tem pressa e as novas ideias precisam ser colocadas em prática.
Vamos diminuir o pensamento de evolução (não somos superiores), e sim de nos transformarmos em prol de nós e da natureza.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Tempo de florir


O desabrochar não é estético,
é interno.
A beleza para fora é fugaz, murcha,
enruga como a flor.
Ser bonito no íntimo, não é buscar a aceitação,
é ser honesto consigo mesmo.
Honestidade em aceitar suas manchas, caras avessas, desesperos,
bocejos e medos.
Deixar o que vier florir.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Me prendo as sutilezas

photo by me
O corpo fala.
Uma mão não transmite palavras, mas pode dizer.
Engano pensar que só uma parte física do homem tem voz. A boca.
Todo o corpo grita para ser ouvido, sentido.
A sintonia do físico, orgânico e psíquico nos faz presente, existente.
Por isso gosto das sutilezas.
De uma veia que leva sangue ao meu coração. Me bombeia.
É o toque, o cheiro. o gosto, sabores que me difere de você.
Mudando dias e sensações.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Aos 23 anos ... quebrando a casca do ovo


Há um ano atrás decidi escrever um pouco sobre o meu estar com 22 anos. Agora sentada aqui depois de 12 meses volto a questionar e elucidar versos presos em mim.
Era uma busca em ficar bem, sem compreender o sentido desta palavra. O que é estar bem?
Sonhava com eternas manhãs leve de sol quente na medida certa, de ócio constante, de uma liberdade alucinante.
Os dias passaram e a busca não cessava, arrastavam-se para o próximo dia, tão longe estendia.
A constante tentativa de supressão do vazio e a rejeição do presente, eram encobertas pelos pensamentos fixos de que dias melhores existem no amanhã. Como na linha do horizonte, perfeita em seus traços, mas distantes demais para serem alcançadas.
Jogava minhas expectativas no mundo e no tempo.
Durante este processo estou acalmando meus desejos e deitando nas mantas do meu próprio ser. Encolhi minhas garras e deixei as feridas realmente sangrarem.
O processo está se revertendo. Meus olhos não buscam o horizonte como antes, eles encontram minhas mãos, pés, seios, coração, todo o meu corpo.
Venho descobrindo quanto ativa sou.
O mundo não vai me oferecer um castelo, ele é esta mistura de desejos, medos, fracassos, exigências, amores, cheiros, descobertas, sonhos, beijos, luz do sol, chuva e eu pertenço a tudo isso. Sou composta por todos estes pedaços.
Incluir- me no círculo da vida, trazendo até mim a responsabilidade pela minha existência e pelo mundo. É como me encontro agora.
Não sonho com o mundo e o dia perfeito.
Compreendi meu espaço, fazer parte de todas as formas de vida. Abraçar os dias bons e ruins. Vivenciar os momentos como únicos e aprecia-los verdadeiramente como meus.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Um apanhado de palavras sobre 2014



I X Me

Fim de ano traz um clima de retrospectiva, daquela vontade de mudança. Penso ser de sumo crescimento e amadurecimento interno este movimento de reflexão sobre nós em vários momentos e não apenas na delimitação do tempo feita pelo homem, a passagem do ano.
Mas, como é acentuado no fim do ano fiquei com vontade de expor minhas considerações sobre 2014 aqui.
Fiz diversas escritas em papéis avulsos, no meu diário e cheguei ao pensamento que de todas as coisas realizadas, de todas mudanças a mais significativa e que é a base das outras, é o olhar que estou tendo para mim.
Passei por perdas de certezas, daquele sentimento de que tudo tem um fim. Agregado a isto, vieram  leituras significativas, psicoterapia, muitos cafés filosóficos com amigas e principalmente com a minha irmã, reflexões, escritas frente a janela e um pouco a mais de vivências que estão me fazendo perceber a Andressa, a minha verdade. Quem sou eu no meio disso tudo chamado sociedade.
Pode parecer bobo, porém penso que o encontro mais difícil e mais maravilhoso é  quando ficamos frente a frente conosco. Assumir as responsabilidades das nossas escolhas, as nossas verdades, lidar com todas as nossas formas de expressão, com a solidão, com dias tediosos, com choros, sorrisos, sonhos, traz a nossa autenticidade. O nosso verdadeiro eu.
Este descobrimento vem me permitindo vivenciar momentos fora da minha zona de conforto. Assim, ocorreram várias coisas inesperadas, porém frutos da minha abertura ao mundo. Ai vão alguns deles:

Fui para São Paulo participar de um espetáculo dirigido por uns português no SESC, sem saber como seria. E foi maravilhoso o contato com outras pessoas e o sentimento de que sou capaz.

Apresentei no congresso de Psicologia.

Viajei para Belo Horizonte, Ouro Preto.

Fui no show do Marcelo Jeneci. Na exposição do Castelo Rá-Tim-Bum.

Abri meu brechó online.

Fiz novas amizades.

E muitas outras vivências encantadoras e outras não e isto que está sendo bom, o equilíbrio, sem excessos de felicidade ou sofrimento.
Para o ano de 2015 que essa viagem interna continue....

domingo, 2 de novembro de 2014

Círculo

Em nenhum outro momento sou tão minha do que quando me desnudo da rotina e me cubro apenas com a solidão.
Toda forma de vida se resume ao presente e as singelas sensações do agora.
Meu corpo torna-se tão leve que se a morte chegasse, morreria calma, redonda. Em sintonia com a totalidade do meu ser.

domingo, 21 de setembro de 2014

A saudade que instala de manhã

photo by me
As telhas irradiavam a luz solar.
Na casa do meu avô me sentia aventureira e segura.
Tinha uma punhado de terra para explorar,
amigos para conversar e
uma vasta rua, propicia para que as brincadeiras rolassem.
Me lembro muito bem de encontrar meu avô na paz,
no balançar da rede.
Aquela cena me adentrava e acalmava.
A cidadezinha ia se transformando em meu próprio mundo,
ali encontrava tudo que precisava, se me machucava tinha palavras
sábias na rede para confortar.
As lembranças doces da época um pouco atrás, parecem querer criar asas,
me dominar nas manhãs mornas, quando deitada começo a reviver um pedaço
de mim.
A saudade aperta pelo que vivi e não pude viver.
Sinto falta de ter meus avós por mais tempo comigo,
poderia ter aprendido um tanto mais.
Mas, talvez eu não teria essa consciência e nem a saudade doce que a partida traz.
Andressa Giacomini
 

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