sexta-feira, 26 de junho de 2015

Minhas considerações sobre A Metamorfose- Franz Kafka

Antes de começar a explanar sobre as minhas considerações de A Metamorfose, vou criar um parênteses para acrescentar que meu blog naturalmente está modificando em apenas ser a externalização das minhas vivências literárias. Mas estou gostando desse novo caminho.
Bom, penso que as obras literárias de Kafka vem embutidas nas percepções sociais como difíceis, complicadas e outros adjetivos que confesso terem contribuindo para a minha pré percepção da obra. Tento me abastar dessas considerações antes de ler, pelo menos um pouco para diminuir a interferência em minhas próprias percepções da leitura, portanto, o que vou acrescentar aqui são apenas meu modo de sentir a obra sem mais nem menos. 
Adentrei na leitura do livro com um pouco de receio e com o passar das frases fui descobrindo um livro leve no sentido gramatical e pesado em sua simbologia e significados.  
Resumo: Gregor Samsa é um jovem adulto que mora com seus pais e sua irmã, o mesmo tem um bom cargo financeiramente, trabalhando como caixeiro-viajante. Sua vida está entrelaçada ao trabalho, não havendo convívio social além do familiar e do âmbito do trabalho. Após uma noite  de sonhos inquietos, Gregor acorda transformado, habitando um novo corpo. Metamorfizado em um inseto monstruoso. 
Minhas considerações: A leitura tocou-me não pelo estranhamento aparente por um ser humano ter transformado em um inseto, mas o que me assolou foi o rico acervo de sentidos por detrás de tal metamorfose. Senti o Gregor como um jovem cuja a existência estava voltada exclusivamente ao coletivo, a vida em família.
Quando ele transforma-se em um inseto não se mostra angustiado,como se esperasse esta mudança. Na família é que o choque se assola, acostumados a um Gregor, quando deparam-se com um novo ser há um desiquilíbrio em sua condição familiar.
Me veio o pensamento de como a mudança pode ser significada como um empecilho a dinâmica do grupo, quando encarada com rigidez. O filho habita outra forma física, mas continua existindo como antes dentro de si. 
A família a princípio tenta uma relação humanizada com o mesmo, pela a espera daquele antigo Gregor e não por aceitar sua nova condição de ser. Assim, mesmo após a metamorfose ele continua a margem apenas do coletivo, tendo de viver as escondidas para suavizar o choque de seus familiares.
Por fim, percebi A Metamorfose como um inchaço da rotina inautêntica do personagem principal, que a levava repetindo ações sem ter um sentido ou propósito verdadeiramente seu. Outro ponto é como seu convívio social tentou esconde-lo e mascara-lo devido as suas novas condições, sem levar em considerações as atribuições que ele trouxe a família e ao trabalho.
O livro permite mais desdobramentos, mas me encerro por aqui.

4 comentários:

C Dill disse...

Boa tarde.

Concordo totalmente.

Uma das grandes dificuldades enquanto individuo, seria a de legitimar suas formas de ser, a própria expectativa individual se resume em demasia em um 'eu' consistente com um certo tipo de imagem tida socialmente. Pouco se analisa as mudanças e as reais potencialidades do sujeito -- enquanto parte do coletivo.

Outra questão é a espetaculização da vida, basta analisar como a violência é transmitida hoje, de forma qual não se analisa suas possíveis causas. Assim esconder o que quer que seja norteia o modo padrão de agir, já que não se problematiza as coisas, elas apenas são alardeadas.

Até uma próxima.

Maria Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Luz disse...

Faz um tempinho que não visito seu blog, mas fico pelo caminho que está tomando, é sempre bom abrir uma page na internet e ler sobre algum livro sob a percepção de alguém. Há um tempo atrás eu comecei a ler A Metamorfose, mas senti que não estava no clima e acabei do abandonar o livro, mas com a promessa de voltar a ler ele um dia, quando eu sentir verdadeiramente a necessidade de lê-lo, gostei das suas considerações.

Bruna Matos disse...

Li há muitos anos, ainda na adolescência, e essa obra mexeu muito comigo, afinal, também era uma espécie de ser que as pessoas não sabiam lidar.

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