domingo, 1 de março de 2015

Minhas considerações: Olhai os lírios do campo- Erico Verissimo

                                                              photo by me
Nunca tinha lido nada do Erico Verissimo até o presente momento. Minha vontade de ler Olhai os lírios do campo veio do nome do livro, tão sugestivo a simplicidade.
Não tenho o hábito de ler sobre o autor e nem sobre os comentários de sua obra antes de ler o livro, para não me deixar levar por outras opiniões. 
Só após a leitura procuro sobre o autor, sobre os comentários da leitura. Guio-me inicialmente apenas pelo resumo do livro e não pelas opiniões sobre ele.
Assim, comecei a leitura de Olhai os lírios do campo crua e nua de exposições alheias.
A história é sobre Eugênio Fontes. Um homem pobre que a todo momento questiona-se e sente-se humilhado da sua condição financeira considerada inferior perante a sociedade.
Até a fase adulta o personagem guia-se na suas escolhas voltado apenas as consequências exteriores.
Durante suas vivências de perdas ele vai resignificando sua existência. Aquele Eugênio do início voltado exclusivamente a si e a compreensões impróprias da sociedade, da lugar a um homem autentico, respeitando suas vontades e considerando as relações entre os seres humanos.
Achei a trajetória de Eugênio cheia de nuances existenciais, com questionamentos que nós humanos fazemos em algum momento de nossa existência. 
Estou encantada com essa obra.
Segue alguns grifos marcantes para mim:

Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir aranha-céus se não há mais almas humanas para morar nelas?


E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Tinha tido apenas a ilusão de viver, mas na verdade andara morto por entre os homens.

Continuou a andar, olhando com esquisito prazer para as pessoas que passavam. Todas elas deviam ter os seus dramas, os seus problemas morais e materiais, as suas pequenas e grandes alegrias. Eram seres humanos. Viviam!
" A vida começa todos os dias". Essa frase lhe visitou a mente durante todo o trajeto do consultório a casa.

Começava a tomar a vida pelos ombros e tentava beijá-la na face, como lhe aconselhava Olívia. Era um beijo de sacrifício que ele dava ainda com alguma repugnância, num desfalecimento de medo, violentando a sua natureza mais íntima. Mas havia nesse beijo um estranho elemento de fascínio.E ele sabia - se sabia! - que um dia, não muito remoto, ele ainda beijaria com amor essa mesma vida incoerente, sórdida, brutal e apesar disso, ou talvez por isso mesmo, bela.

-Nós somos humanos, Felipe, e vivemos quase como máquinas.

Pensemos apenas nisso: não fomos consultado para vir para este mundo e não seremos consultados quando tivermos de partir.

O mistério estava em tudo, até nas coisas mais óbvias e aparentemente simples.

-Sabe da última? Estou encontrando na vida, em carne e osso, velhos conhecidos de livros...

Havia um secreto encanto na sua solidão.

Até o próximo post.


1 comentários:

C. Morais disse...

Recomendado o livro? Pq eu to encantada com essas partes grifadas. To correndo pra procurar no skoob. Obrigada pela resenha! um beijo

Eu.Nomadiando

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